“Acima de tudo nunca fico conformado, procuro sempre melhorar”, afirma
Fábio Amaral
Fábio Amaral, 20 anos é treinador de futsal no Ases de Leça Futebol Clube. Iniciou a carreira de treinador na presente época desportiva e confessa que sempre teve “um gosto especial na análise do jogo em si”. Sara Coimbra (SC): O que o levou a ser treinador de futsal?
Fábio Amaral (FA): “Desde muito jovem que sempre tive a aspiração de ser treinador, sempre tive um gosto especial na análise do jogo em si, de dominar todos os aspectos do jogo, treino e conseguir liderar um grupo de atletas.”
SC: Para o ser, que cursos teve que tirar?
FM: “De forma a poder exercer a função de treinador de futsal, tive que tirar o curso de treinador de futsal nível 1 na Associação de Futebol do Porto. Este nível per-mite treinar qualquer escalão de formação e equipas seniores nas divisões distritais.”
SC: Qual é a sensação de ser treinador de futsal?
FA: “É uma mistura de emoções, mas por norma é uma sensação de alegria e entusiasmo. Sendo que também há a sensação de ansiedade e algum nervosismo, pois tentamos sempre dar o nosso melhor.”
SC: Que dificuldades encontra diariamente um treinador?
FA: “A maior dificuldade é conseguir sempre inovar, é uma procura constante de novos exercícios de treino que correspondam ou se adaptem às necessidades da equi-pa. A interacção com os jogadores também é um aspecto a ter em conta, pois acima de tudo não nos podemos esquecer que lideramos seres humanos com sentimentos e pro-blemas que afectam o seu rendimento dentro de campo.”
SC: Considera que ser treinador de futsal é uma tarefa desafiante? Porquê?
FA: “Óbvio! O treinador que não se sinta desafiado diariamente para melhorar em todos os aspectos técnico/tácticos é sinal que não está na profissão correcta. A von-tade de aprender, melhorar, liderar e superar-nos a nós mesmos é algo inerente a esta função.”
SC: O que sente quando o tratam por “mister”?
FA: “É uma sensação esquisita, pois é algo que não estamos habituados. Ainda para mais sempre estive do lado contrário e já nessa altura imaginava o que sentiria uma pessoa ao ser tratada por “mister”. Ao fim deste tempo, digamos que já me sinto habi-tuado e é algo que me dá gosto.”
SC: Como é treinar crianças?
FA: “É algo especial e ao mesmo tempo perigoso. Apesar de ser um objectivo meu começar a minha carreira nos escalões de formação, é sempre um desafio arrisca-do, pois nos escalões de formação o maior risco é conseguir conciliar a vertente despor-tiva com a humana. Não posso negar que procuro sempre a vitória, mas tenho que ter a consciência que estou a formar e a liderar as mentes do futuro e como tal a minha forma de interagir vai se reflectir neles mesmos.”
SC: Visto que treina pessoas tão novas, acha que é complicado transmitir-lhes certos ensinamentos?
FA: “Sem dúvida. São ainda mentes em formação e ainda com uma capacidade de “inteligência” a nível de jogo muito limitada, sendo que a nível de coordenação motora também têm algumas lacunas. O aspecto mais importante a ser incutido é o pen-samento, os jogadores nestas idades necessitam de conseguir pensar por eles mesmos, compreenderem os aspectos envolventes do jogo.”
SC: O que sente quando ganha? E quando perde?
FA: “Quando ganhamos é obvio que me sinto feliz, mas nunca é tão linear. Pos-so ganhar e não me sentir completamente alegre quando sinto que a equipa não deu o seu melhor dentro de campo. O mesmo se passa quando perco, se sentir que a equipa se esforçou ao máximo a nível de empenho e vontade não posso exigir muito mais, e como tal sinto me aborrecido, mas não triste. Acima de tudo nunca fico conformado, procuro sempre melhorar.”
SC: É fácil controlar-se quando é derrotado?
FA: “É, apesar de ter um mau perder e ficar mal-humorado, não perco a calma, não há necessidade disso e acima de tudo tenho que dar exemplo aos meus atletas.”
SC: Quando verifica que os seus jogadores cometerem erros, “perde a cabe-ça”?
FA: “Apesar de não ser o ideal às vezes é inevitável, mas sempre mantendo o respeito pelos jogadores. Apesar de tentar sempre motivar os meus atletas, por vezes faço alguma crítica mais dura em vez de construtiva.”
SC: Quais são as suas expectativas para o seu futuro a nível profissional?
FA: “O mercado português trás poucas oportunidades, mas gostaria de no futuro poder vir a treinar seniores. Gostava de me manter nos escalões de formação durante mais alguns anos e depois poder avançar para novas oportunidades, como por exemplo liderar uma equipa da 1ª divisão nacional. Contudo o maior sonho é treinar a Selecção Nacional, pois liderar a nata dos atletas portugueses deve ser algo indescritível.”
SC: Em que clubes gostaria de treinar? E que escalões?
FA: “É pouco ético referir nomes de clubes, ainda para mais estando neste momento ligado a um. Mas tendo em conta o meu clubismo, gostaria de um dia poder treinar o Salgueiros no escalão de seniores.”
SC: Que mensagem deixaria para os jovens que gostariam de ser treinado-res de futebol?
FA: “Que sigam os seus sonhos e se apliquem ao máximo, pois há sempre alguém melhor do que nós e necessitamos sempre de melhorar e trabalhar para nos man-termos actualizados.”
Por Sara Coimbra